quarta-feira, fevereiro 28, 2007

100% JUNTOS!!!



Milhares de pessoas encheram esta quarta-feira as ruas de Arcos de Valdevez numa manifestação de protesto sem precedentes no concelho. População e autarcas, de Arcos de Valdevez e do concelho vizinho de Ponte da Barca recusam o encerramento das urgências no centro de saúde e a transferência do serviço para Ponte de Lima.
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Rui Aguiam, Presidente da Junta de Freguesia de Arcos (Salvador), explicou que a manifestação traduzirse-a numa marcha lenta entre a câmara e o centro de saúde, em que deverão tomar parte munícipes de cada uma das 51 freguesias do concelho.
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"Saberá por acaso o senhor ministro [da Saúde] que Arcos de Valdevez tem 450 quilómetros quadrados e que algumas freguesias ficam a mais de 50 quilómetros da sede do concelho?", questionou Rui Aguiam, em jeito de crítica.
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Acrescentou que o Centro de Saúde de Arcos de Valdevez "tem muito melhores condições" do que o de Ponte de Lima, para onde está previsto o serviço de urgência que passaria a servir os dois concelhos.
"Tenho a certeza de que se o senhor ministro morasse em Arcos de Valdevez o serviço de urgência que cá existe nunca fecharia", disse ainda.
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A Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências apresentou recentemente uma proposta que, no caso do Alto Minho, aponta para um serviço de urgência médico-cirúrgico no Hospital de Viana do Castelo e dois serviços de urgência básica (SUB), um em Ponte de Lima e outro em Monção.
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"Porquê um SUB em Ponte de Lima, quando este concelho está a apenas 20 quilómetros de distância do Hospital de Viana do Castelo?", insurgiu-se Rui Aguiam.
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O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, também já manifestou "total e veemente oposição" à alegada pretensão do Governo de encerrar as Urgências do centro de saúde local.
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"É uma medida inaceitável, incompreensível e extremamente lesiva dos interesses dos cerca de 25 mil habitantes do concelho, pelo que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que ela seja posta em prática", referiu à Lusa o autarca de Arcos de Valdevez.
Francisco Araújo criticou ainda que os responsáveis do Ministério da Saúde tomem decisões "sentados num qualquer gabinete" no Terreiro do Paço, "sem conhecer verdadeiramente a realidade no terreno".
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Para Francisco Araújo, o encerramento das Urgências de Arcos de Valdevez significaria "um duro golpe" para aquela região do interior e "
um total desrespeito" pelas suas populações.
"As políticas de coesão nacional e de discriminação positiva das regiões mais desfavorecidas são, cada vez mais, ideias que pertencem ao passado", sustentou, sublinhando
"o direito à indignação" da população do concelho.
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A manifestação contou também com a adesão dos habitantes de Ponte da Barca, que actualmente se socorrem nas Urgências de Arcos de Valdevez.
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"Caso se verifique o encerramento do serviço de urgências de Arcos de Valdevez, a população de Ponte da Barca irá ser fortemente afectada", tendo esta opinião sido manifestada por José Alfredo de Oliveira, autarca do Concelho de Ponte da Barca: "a confirmaren-se as informações acerca do encerramento dos serviçoes de urgência de Arcos de Valdevez e de Ponte da Barca, são prova da mais grave irresponsabilidade por parte do actual governo, e da maior falta de verdade por parte do actual executivo camarário de Ponte da Barca, uma vez que foi afirmado em AM que não iriamos ver no concelho o encerramento dos SAP".
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«Querem fechar as urgências num centro de saúde que tem todas as condições e mandarem-nos para um contentor», insurgiu-se Olegário Gonçalves, outro dos mentores do protesto.
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Segundo Rui Aguiam, um dos promotores da manifestação, os números da adesão podem ser aferidos pelas 3000 t´shirts pretas, com a palavra 'Não' gravada, que foram distribuídas pelos presentes e que rapidamente esgotaram, «não tendo chegado, nem de longe nem de perto, para as encomendas».
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No local, foram ainda distribuídos panfletos com fotografias comparativas das condições do Centro de Saúde de Arcos de Valdevez e do Centro de Saúde de Ponte de Lima, para onde serão transferidos os doentes daquele concelho no caso das urgências locais fecharem.